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segunda-feira, 20 de maio de 2013

As melhores (e as piores) frases do cinema de todos os tempos - Jantar às Oito (Dinner at Eight), 1933

"- Eu estava lendo um livro outro dia...
O cara dizia que as máquinas vão substituir as
pessoas em todas as profissões.
- Querida, taí uma coisa que não deve te preocupar."
Jean Harlow e Marie Dressler.
Jantar às Oito, 1933



Jantar às Oito é uma bela surpresa. Com um elenco estelar, dirigido por George Cukor em 1933, época em que Hollywood produzia às dezenas comedinhas escapistas para um país afundado na Grande Depressão, o filme ousa misturar o tom de comedinha escapista com temas dramáticos, pesados – inclusive a própria Depressão.
É preciso realçar este ponto: 1933 era a época de comedinhas ligeiras, muitas delas abordando a vida dos muito ricos. Enchiam-se as telas de elegantes mulheres em vestidos de noite e homens em black-tie, entrando e saindo de boates, de restaurantes – enquanto centenas de milhares de americanos perdiam seus empregos e mergulhavam na miséria, a partir da crise econômica mais grave do século XX, iniciada com a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. A ordem era o escapismo, puro e simples.
E eis que Jantar às Oito – baseado em peça teatral de George S. Kaufman e Edna Ferber, esta última a autora do romance que daria origem a Assim Caminha a Humanidade/Giant, de George Stevens, nos anos 50 – mostra, sim, um grupo de muito ricos, com seus vestidos de noite e black-tie, mas fala de dificuldades financeiras, falência, empresários sem dinheiro.
E não só: em plena vigência do Código Hays, o rígido, duríssimo código de autocensura imposto pelos próprios estúdios, Jantar às Oito fala de infidelidade conjugal, algo expressamente banido, proibido, interditado. Mostra até mesmo um pedaço da coxa da estrela Jean Harlow! E aborda também alcoolismo, fracasso, corrupção, suicídio.


As coisas não iam nada bem nos Estados Unidos, em 1933, o ano em que Jantar às Oito foi feito. Entre 1927, o ano do primeiro filme sonoro, e 1930, o primeiro ano após a quebra da Bolsa, a média de público nos cinemas americanos era de 110 milhões por semana. Essa média desabou para 60 milhões entre 1931 e 1933. O lucro da MGM havia caído; a Paramount devia US$ 282 milhões a diversos credores. Os estúdios na época possuíam suas próprias cadeias de salas de espetáculo, e, para enfrentar os tempos duríssimos e tentar impedir a contínua queda nas bilheterias, os preços dos ingressos caíram. Depois de uma época em que chegaram a receber US$ 3 milhões por dia, os cinemas americanos viram esse número cair abaixo de US$ 1 milhão. Estúdios cortaram salários dos empregados.
Essas informações estão em The MGM Story e também no livro That Was Hollywood – The 1930s, de Allen Eyles. Especificamente sobre o filme, ele diz: “O filme all-star da MGM depois de Grand Hotel foi mais barato de fazer e até mais rentável. Os astros foram usados durante o mínimo tempo possível, trabalhando de dois até 12 dias no filme, e o custo ficou abaixo de US$ 400 mil.” Outra fonte, o Cinebooks’, diz que, destes US$ 400 mil, US$ 110 mil foram para os autores da peça.
Só encontro menção ao Código Hays no Cinebooks’ – mas nem ali se fala da questão da infidelidade conjugal. O que o Cinebooks’ diz é que o representante da censura na Costa Oeste, um auxiliar de Will Hays, teria advertido Selznick sobre a cena do suicídio, algo bastante inadequado.


Em 1933, Marie Dressler foi a maior bilheteria dos Estados Unidos pelo segundo ano consecutivo. Não era Mae West, Jean Harlow, Clark Gable, Greta Garbo – a estrela que mais levava gente ao cinema era a feia, gorda, velhota Marie Dressler, nascida em 1868 – morreria no ano seguinte, 1934. A biografia dela no IMDb começa assim: “Depois de vê-la, você não se esqueceria dela. Apesar de sua idade e peso, ela veio a ser um dos maiores chamarizes das bilheterias na era do som. Tinha 14 anos quando se uniu a um grupo de atores e começou a trabalhar no teatro e em operetas. Em 1892 estava na Broadway, e mais tarde tornou-se uma estrela como comediante do circuito de vaudeville. Em 1914 trabalhou ao lado de Chaplin em Carlitos – O Inesquecível.”
Conhecer Marie Dressler é mais um motivo para se admirar este Jantar às Oito.

Fontes: texto escrito por Sérgio Vaz, disponível em 50anosdefilmes.com.br e Livro Cinema Falado, escrito por Renzo Mora, todos os direitos reservados.

domingo, 14 de abril de 2013

As melhores (e as piores) frases do cinema de todos os tempos - Anjos do Inferno (Hell's Angels), 1930


"Você ficaria chocado se eu vestisse
algo mais confortável?"
Jean Harlow para Bem Lyon.
Anjos do Inferno, 1930



Estreou em 15 de novembro de 1930 mundialmente e foi considerado o filme mais caro feito até então, com um orçamento de, aproximadamente, US$ 3,8 milhões.
Howard Hughes, o diretor, desejava realismo absoluto e em virtude disso ocorreram acidentes dramáticos e fatais durante as filmagens. Em maio de 1928,o piloto Al Wilson escapou da morte quando o avião que conduzia, um Fokker D. VII, mergulhou em uma densa névoa ficando sem visibilidade. Wilson teve que saltar, em baixa altitude, caiu no telhado de uma residência em Hollywood enquanto a avião se despedaçou ao lado da casa do magnata Joseph Michael Schenck. Mas o pior estava por vir. 
Em meio às filmagens intensas, novos acidentes, porém, estes últimos sérios e fatais. Um piloto de avião morreu ao se chocar contra fios de alta tensão; outra morte de outro piloto aconteceu quando o avião deste ficou sem combustível e mergulhou ao chão dando cambalhotas. Uma terceira morte ocorreu quando um piloto tentou se exibir, em um voo sem filmagem e houve uma pane no manche da aeronave que caiu com violência ficando totalmente despedaçada. 
O pior acidente ocorreu por conta do desejo do diretor de realismo numa cena de combate com um bombardeiro aéreo, uma tomada muito difícil. Hughes exigia que o avião fazesse um parafuso quase até ao chão. Os pilotos consideraram a cena muito difícil de executar e assim se recusaram. Porém, o piloto Al Wilson, que já tinha se acidentado nas filmagens, aceitou a tarefa desde que tivesse a ajudo de um auxiliar para operar o dispositivo de fumaça do aparelho. Na tomada da cena, quando o avião (um Sikorski) estava a sete mil pés de altura, precipitando-se para o chão com grande velocidade, ocorreu a ruptura do tecido da asa direita do aparelho. O piloto Al Wilson conseguiu pular de pára-quedas, porém, o auxiliar Phil Jones não saltou e morreu na queda da aeronave.


Fontes: Livro Cinema Falado, escrito por Renzo Mora e wikipedia.org.