Pesquisar

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O melhor filme de 2012 segundo alguém que não se sabe quem...

Filmes sobre dramas adolescentes são comuns e, em geral, trazem pouca novidade sobre esse universo. São quase sempre os mesmos problemas, não importa a época ou o lugar. Alguns, no entanto, conseguem triunfar por trazer um olhar diferente sobre essa fase da vida. É esse o trunfo do estreante na direção Stephen Chbosky, em As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower, EUA, 2012), baseado no livro de mesmo nome lançado por ele em 1999. O longa estreia nesta sexta-feira nos cinemas.
O filme narra a história de Charlie (Logan Lerman), um garoto introvertido que acaba de entrar para o high school -- o equivalente ao ensino médio nos Estados Unidos -- e tem de lidar com um dos maiores temores da adolescência: não ser aceito em nenhum grupo. No entanto, logo nos primeiros dias de aula, o menino é acolhido por uma turma de veteranos desajustados. O grupo inclui o gay Patrick (o brilhante Ezra Miller, de Precisamos Falar Sobre o Kevin) e sua meia-irmã Sam (Emma Watson, a Hermione de Harry Potter em seu primeiro ótimo papel após a franquia), uma menina bonita, mas ingênua, que já beijou toda a escola.


Com o começo da amizade, Charlie passa a ver (e a viver) dramas comuns da adolescência, dos mais banais aos mais sérios – mas, que, como tudo nessa fase da vida, parecem muito maiores do que são. Não é por acaso que as histórias se desenrolam no período mais difícil da escola: a preparação para os exames finais e as escolhas de carreiras e faculdades.
Charlie se interessa por Sam, mas ela só quer saber de caras mais velhos. Já Patrick namora Brad (Johnny Simmons), um valentão do time da escola cujo pai não aceita a homossexualidade e se recusa a admitir a própria opção sexual aos amigos. Outra amiga do grupo, a riquinha Mary Elizabeth (Mae Whitman), não sabe se quer ser punk ou budista – a típica controvérsia ambulante que são os jovens adultos. Mas Charlie vive um drama um tanto maior que o de seus colegas. Traumatizado com a morte da tia, que aconteceu quando ele era ainda muito novo e da qual, por isso, não se lembra muito bem, o garoto desenvolve depressão.
Uma das qualidades de Chbosky é conseguir costurar todas as histórias e abordar temas complicados -- rejeição, homossexualidade, drogas, depressão -- sem tratar nenhum deles de forma superficial. Dessa forma, enredo e personagens ganham amplitude sem cair em clichês. Assim como a cena em que Charlie, Sam e Patrick escutam no carro, pela primeira vez, a música Heroes, de David Bowie, As Vantagens de Ser Invisível é um clássico instantâneo.


Texto de autoria de Carol Nogueira publicado originalmente em veja.abril.com.br.

Nenhum comentário:

Postar um comentário