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sábado, 9 de março de 2013

Estreia no Rio de Janeiro a esperada nova versão de Como Vencer na Vida Sem Fazer Força!



Como subir na vida sem muito trabalho ou esforço? Todos procuram a resposta para essa pergunta. Enquanto os livros de autoajuda profissional pregam empenho e boa vontade, o ex-limpador de janelas J. Pierrepont Finch acredita que é preciso seguir três mandamentos: mentir, bajular os poderosos e puxar o tapete de quem está na frente. Finch é o protagonista do musical da Broadway “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”, que ganha uma versão brasileira pelas mãos da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro. O espetáculo propõe um encontro inédito nos palcos entre duas gerações do humor carioca: Gregório Duvivier encarna o anti-herói que conquista a plateia, dividindo o palco com Luiz Fernando Guimarães.

O musical norte-americano é baseado no livro homônimo escrito por Shepherd Mead em 1952. A obra se tornou um best-seller ao criticar de forma pioneira os manuais de autoajuda que surgiam na época. Apenas dez anos depois a Broadway decidiu lançar o espetáculo, que rapidamente se tornou um sucesso com direito a mais de 1.400 apresentações, sete prêmios Tony e um surpreendente prêmio Pulitzer de Melhor Texto Teatral. 

– É o primeiro musical politicamente incorreto da história da Brodway! É um musical em que você torce pelo vilão. Ele é que tem charme. Ele está desarmando todo mundo que vê pela frente, usa de maracutaias para subir na vida, dá rasteiras em colegas, mente, rouba ideias, mas mesmo assim a plateia inteira torce por ele. E é um texto absolutamente atual, parece ter sido escrito ontem! Fora que é praticamente sobre nós brasileiros. (risos) É o jeitinho brasileiro de chegar a algum lugar sem ter nenhum trabalho – explica Claudio Botelho, que assistiu na Broadway a remontagem de 1995, com o ator Matthew Broderick.

A peça conta a história de um limpador de janelas que cria uma farsa para ingressar e ter sucesso na corporação presidida pelo obtuso J.B. Biggley, vivido por Luiz Fernando Guimarães. Finch chega ao topo se utilizando apenas de alguns truques, muita lábia e agrado aos poderosos, além de conquistar o coração da tola secretária Rosemary (Letícia Colin). A trama é pano de fundo para uma impiedosa sátira ao mundo corporativo, representado em cena pela World Rebimboca Company, empresa cujo ramo de atuação nunca é revelado e nem os próprios funcionários parecem saber o que ela realmente produz.
– É uma peça muito legal! O cara acaba tendo um trabalho extraordinário na hora de maquinar o próprio sucesso. Ele é uma pessoa muito inteligente, escolhe a empresa certa para dar o seu golpe. E o presidente é completamente autocentrado, não percebe o que está acontecendo. É engraçado perceber que o Finch tem, sim, muito trabalho. Só que o trabalho dele é mental. Quando falamos em força, imaginamos o cara do carregador, do caminhão. Aqui, a força é toda a tramóia – conta Luiz Fernando.

Gregório Duvivier complementa:
– É como minha vó costumava dizer: o preguiçoso trabalha dobrado!
A sintonia entre a dupla é percebida dentro e fora dos palcos. Em cena, os atores – que nunca haviam trabalhado em um espetáculo musical – dançam e cantam juntos. Os irreverentes números musicais servem para situar o espectador no clima de deboche proposto pelos autores, como na cena em que Finch pede para que o presidente do conselho não demita os funcionários, mesmo que um deles seja meio estúpido e o outro um bobalhão. A preparação dos atores levou oito semanas e contou com aulas de canto e dança. 
– Foram dois meses muito intensos. Esse é um período muito curto para uma peça tão complicada. Então, para compensar isso, os dias de ensaio foram muito longos. É muita coisa, você ensaia tudo! Durante essa maratona, não dá pra fazer outra coisa na vida – conta Gregório, que ainda consegue tempo para gravar os programas do canal humorístico online “Porta dos Fundos” e lançar a comédia “Vai que dá Certo”, que estreia dia 22 de março. 

“Como Vencer na Vida sem Fazer Força” já teve uma bem-sucedida versão brasileira apresentada em 1964 pelo dramaturgo Victor Berbara. Na época, os protagonistas eram interpretados por Procópio Ferreira, Moacir Franco e Marília Pêra. 
– Quando fui convidado para fazer este espetáculo, achei incrível. Na época da primeira versão aqui no Brasil, meus pais não me deixaram assistir. Então quando eu recebi o convite do Claudio, me interessei imediatamente. Ele disse: “Você vai ser o dono do poder!”. E eu sabia que ele tinha sido interpretado por ninguém menos do que o Procópio Ferreira, que é praticamente o deus do teatro. Nem sei explicar o que eu senti! Li a peça com a mesma simpatia com que recebi o convite e tem sido uma aventura muito interessante – conclui Luiz Fernando.

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Fonte: globoteatro.com.br