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domingo, 31 de março de 2013

A história da estória: Sweet Charity


Boa parte do encanto de As Noites de Cabíria – uma obra-prima de Federico Fellini que teve imenso sucesso e reconhecimento, com 15 prêmios, inclusive o Oscar de melhor filme estrangeiro – vem da interpretação brilhante, emocionante, superlativa de Giulietta Masina, musa, cúmplice artística e mulher do diretor.
A história básica de Noites de Cabíria virou um musical da Broadway. Foram feitas as devidas adaptações. Cabíria virou Charity Hope Valentine – e para se reparar o nome, composto por caridade, esperança e o santo protetor dos namorados. Em vez de prostituta pobre das ruas, a Cabíria do teatro americano teve sua profissão suavizada para uma taxi dancer nova-iorquina – aquele tipo de dançarina de boates, inferninhos, que ganha pelo tempo que passa com o cavalheiro, em geral recebendo cantadas ou avanços sem permissão.


O autor da adaptação da história de Cabíria para o palco da Broadway foi o dramaturgo e roteirista Neil Simon. Em meados dos anos 1970, Neil Simon já seria um dos mais aclamados e bem sucedidos autores do teatro americano; nos anos 60, ainda estava começando a carreira.
Sweet Charity estreou no Palace Theater da Broadway em 29 de janeiro de 1966. Tinha canções de Cy Coleman com letras da escritora Dorothy Fields; a coreografia e a direção eram de Bob Fosse, já na época um respeitadíssimo encenador da Broadway. Charity, a protagonista, era interpretada pela atriz e dançarina Gwen Verdon – a mulher que estava para Bob Fosse como Giulietta Masina para Fellini.
Foi um imenso sucesso. Teve 608 apresentações consecutivas, ganhou 12 indicações ao Tony, o Oscar do teatro americano, e prosseguiu carreira no West End de Londres.
Três anos depois, o próprio Fosse estreou no cinema, na direção da versão filmada do musical, estrelado por Shirley McLaine.


Em 1986, "Sweet Charity" voltou a Broadway com Debbie Allen no papel principal, versão que ganhou quatro Tony Awards. No ano passado, a atriz Christina Applegate viveu Charity nos palcos, com coreografias de Wayne Cilento. 

"Sweet Charity" se passa em Nova York, final dos anos 60. Charity é uma dançarina de cabaré que sempre acaba se aproximando do homem errado. Depois de algumas desilusões amorosas, pensa em mudar de vida e procura a Associação Cristã de Moços para assistir uma palestra, mas fica presa no elevador ao lado de Oscar Lindquist, que sofre de claustrofobia. Com seu jeito delicado, a dançarina acalma o rapaz, que pede para vê-la novamente. A partir desse momento, sua vida de muda de rumo.





Em 2006 o musical recebeu uma primorosa adaptação para os palcos brasileiros dirigida por Charles Möeller e Claudio Botelho. Cláudia Raia viveu a prostituta ingênua Charity. Segundo Cláudia Raia, a personagem de Giulietta Masina foi sua principal inspiração. "Mas sei que sou uma mulher de 1,80, que nem de joelhos faço o estilo 'mignon' dela, então preciso achar a minha Charity", explica Cláudia.
“Sweet Charity foi um divisor de águas na nossa carreira. Primeiro de tudo, por meu encontro com a Cláudia. Eu e Cláudia tivemos uma conexão imediata, parecia que éramos amigos desde a primeira dinastia no antigo Egito. Cláudia é minha irmã e um encontro eterno. Depois, fomos trabalhar com uma empresa acostumada a fazer produções estrangeiras, a lidar com diretores norte-americanos de musicais. Não precisávamos convencer esta empresa sobre nada. O que dizíamos era lei. Logo no primeiro dia, tínhamos à disposição, em uma casa alugada na Lapa paulista, três salas climatizadas, para que três ensaios corressem paralelamente”, disse Charles.
“A grande surpresa em Sweet Charity, por outro lado, foi ver o salto de Cláudia Raia como cantora. Famosa pelo seu lado de vedete e bailarina, acho que Cláudia nem era vista muito até então como uma pessoa capaz de interpretar canções mais elaboradas. Mas sua Charity era um primor de execução vocal, não deixando nada a desejar em comparação às diversas atrizes-cantoras que andaram desempenhando o papel pelo mundo”, complementou o diretor.



Fontes: folha.uol.com.brcinemaclassico.com (texto de Sérgio Vaz) e moellerbotelho.com.br (com adaptações).