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terça-feira, 26 de julho de 2011

O Globo: Charles Möeller e Claudio Botelho produzem musical ‘Kiss me, Kate’, de Cole Porter & DOWNLOAD

João Máximo (O Globo) – Enquanto as novas gerações vão conhecendo Cole Porter por meio do cinema – como em “Meia-noite em Paris”, sucesso de Woody Allen em cartaz -,Claudio Botelho e Charles Möeller continuam acreditando que o melhor Cole Porter está no palco, não na tela. Razão pela qual, com o mesmo entusiasmo com que escreveram e encenaram, em 2000, “Ele nunca disse que me amava”, eles se preparam para produzir, no segundo semestre de 2012, “Kiss me, Kate“, considerado o melhor musical do compositor.
Botelho explica por que, tendo ele e Möeller adquirido os direitos para o Brasil há mais de três anos, só agora se sentem em condições de produzi-lo:

- Acabamos de renovar os direitos por mais um ano e meio, pois finalmente já temos o barítono que procurávamos para o papel principal: José Mayer. Sua atuação em “Um violinista no telhado” nos convenceu de que ele é o perfil perfeito para o papel de Fred/Petrucho.
Mas o interesse dos dois produtores vem de muito antes. Em novembro de 1999, eles viram uma remontagem do musical na Broadway. Ficaram, segundo Botelho, extasiados:
- Era a primeira vez que víamos Cole Porter no palco, e a primeira vez que o encontrávamos em seu veículo original. Ou seja, o teatro.
“Ele nunca disse que me amava” nasceu desse entusiasmo. Menos de um ano depois, Möeller e Botelho lançavam a história, deles mesmos, sobre a relação de Cole Porter com as mulheres de sua vida (esposa, mãe, amiga, intérpretes). As canções, claro, eram Porter, algumas vertidas por Botelho. O título está num dos versos de “The physician”, canção que Porter escreveu para Gertrude Lawrence cantar em “Nymph errant”, musical londrino que jamais chegaria à Broadway.

“Kiss me, Kate” é outro caso. Estreou em 1948, depois de uma série de experiências teatrais frustradas. Só que a história era boa (uma adaptação musical de “A megera domada”), e o texto de Bella e Samuel Spewack, inteligente, repleto de citações a Shakespeare. Porter foi pelo mesmo caminho, com letras que remetiam, com humor e sofisticação, à poesia do bardo.
A montagem que tanto extasiou Möeller e Botelho, e que eles pretendem trazer para o Brasil, difere da original principalmente nas orquestrações, as de Don Sebesky substituindo as originais do mestre Robert Russell Bennett.
- São mais jazzísticas – diz Claudio.

Paixão de Woody Allen
Outra diferença é a inserção de “From this moment” entre as canções. Descartada do musical seguinte de Porter, “Out this world”, ela seria aproveitada, com enorme sucesso, no filme de 1953.
Já então era o cinema ajudando Cole Porter a ser mais conhecido no Brasil, pois “Dá-me um beijo“, como “Kiss me, Kate” foi lançado por aqui, lotou os três cinemas Metro por semanas. Outros filmes, baseados no teatro musical de Porter, “Meias de seda“, “Can-Can” e o mais antigo “Fuzarca a bordo“, não chegaram a tanto, mas, pelo menos até que os antológicos.
Por fim, Woody Allen. Graças à sua deliciosamente anárquica concepção do que seja uma trilha sonora (canções inteiramente desligadas do contexto, às vezes em gravações muito antigas, pela simples razão de Allen gostar delas), os melhores compositores americanos têm brilhado em seus filmes. Destacam-se três novaiorquinos, de nascimento, como George Gershwin e Richard Rodgers, e adotivos, como Cole Porter. Este está em 16 filmes do diretor, representado por 23 canções. Uma delas, “Let’s misbehave”, na mesmíssima gravação de Irving Aaronson & The Commanders, de 1928, é ouvida sob os créditos de “Tudo que você sempre quis saber sobre sexo e teve medo de perguntar” e, 22 anos depois, em “Tiros na Broadway”.
Por fim, “Meia-noite em Paris”. Se a música de Porter não é tão ouvida quanto de Gershwin em “Manhattan”, sua presença é pelo menos mais vista, na figura do ator que o representa, Yves Heck, e nas canções escritas em fins dos anos 20 para musicais em que Porter celebrava Paris. Afinal, de todos os americanos expatriados naqueles anos que o filme retrata, Cole Porter era o único que, vivendo lá, podia escrever joias como aquelas.

Fonte: O Globo
25/07/11

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